Agosto 2008 • N.º10 - I Série Inscrito no ERC sob o nº 125290
Cascais e Oeiras
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EDIÇÃO nº10 - CASCAIS E OEIRAS
Entrevista ao Miguel Ângelo - Delfins
Desde já o nosso agradecimento aos Delfins, na pessoa de Miguel Ângelo, pela disponibilidade dispensada a este Jornal.

J.A.-O grupo os Delfins, são um dos grupos Pop portugueses mais populares. Mas nem sempre assim foi, quer comentar?
M.A.-
A popularidade é um bicho-de-sete-cabeças. Melhor: um dragão. Tal como S. Jorge, já a combatemos com sucesso e com insucesso, ao longo da nossa carreira. Mas continuo a pensar que com dedicação, trabalho e invenção se conseguem ultrapassar todos os obstáculos da popularidade.

J.A.-Aquando da formação do grupo, o Miguel não fazia parte do mesmo, tendo vindo a figurar um ano mais tarde. O que o levou a enveredar por este percurso?
M.A.-
Eu queria ser cantor aos 6 anos de idade. Não bombeiro, não astronauta. E era só uma questão de tempo. O meu irmão mais velho tocava com uns colegas de liceu, e eu fui lá ocupar o posto de cantor. Fiquei.

J.A.-O vosso primeiro sucesso, veio depois de uma fase em que as coisas não lhes correram muito bem, ou seja, a vossa participação no festival da canção, onde ficaram em último lugar. Como se sente, no vosso caso, um grupo, após esta decepção, para poder seguir em frente, uma vez que ainda não tinha nome firmado no meio musical?
M.A.-
O último lugar no Festival RTP da Canção, tal como o primeiro, era o nosso objectivo. Não queríamos lugares intermédios. Queríamos aparecer e mostrar que havia vida na música nacional para lá do universo anual do Festival da Canção…

J.A.-Como foi, para vós, tomarem uma música do António Variações, que, na sua época, era bastante contestado e, com uma roupagem nova, fazerem dela o sucesso que foi?
M.A.-
Era um grande poema e uma bela melodia e não tivemos medo do contágio. Ainda hoje é uma canção que resiste ao tempo e à desilusão amorosa dos engates.

J.A.-Como foi para os Delfins assumirem canções, como oposição anti-serviço militar obrigatório?
M.A.-
Sentimo-lo na pele. Por diversas ocasiões. E estávamos contra. Visceralmente contra. Dedicámos o tema «Bandeira» a essa campanha Anti-SMO, de corpo e alma.

J.A.-Sabemos que houve alterações variadas na banda. Foi por necessidade de mudança ou por incompatibilidade entre os membros?
M.A.-
Foi por incompatibilidades temporais. O que é normal numa relação de anos, com todo o desgaste que isso acarreta. Pode sempre acontecer.

J.A.-Quando o Miguel Ângelo fez parte do júri do programa “Chuva de Estrelas”, isso trouxe-lhes uma maior mediatização. Essa mediatização trouxe vantagens para o grupo?
M.A.-
Trouxe vantagens e desvantagens. Mais popularidade e menos fidelização. Tudo o que alcança um êxito incomparável queima as pontas da sua arte. Mas é preciso descobrir o caminho na passadeira vermelha, por entre as cinzas.


J.A.-Qual o motivo que levou os Delfins a mudar o nome para De7fins?
M.A.-
Foi um «desabafo». Uma liberdade adquirida. Um alter-ego incompreendido. Uma necessidade de explodir, face ao sucesso alcançado, até hoje inigualável no nosso mercado. Precisávamos de rebentar para respirar. Precisávamos de nos sentirmos humanos.

J.A.-Julgamos, pela pesquisa por nós efectuada, que a constituição do grupo, neste momento, voltou a ser a mesma de 1988. É verdade?
M.A.-
Sim. Por enquanto… O futuro dos Delfins que ficarem, pertence.

J.A.-A inclusão das irmãs Fidalgo no grupo, foi por necessidade ou por criação de nova imagem?
M.A.-
Precisávamos de mulheres na estrada. Trazem outro colorido aos jantares, aos espectáculos, às noitadas, às conversas. Não podíamos continuar a fazer tournées só a falar de futebol… Para além disso foram mesmo as suas vozes que nos cativaram.
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