Entrevista ao Sr. Presidente da J.F. de Paço de Arcos
J.A- Qual o balanço que faz do seu mandato, até ao momento?
P.J- É um balanço condicionado, pois só desde o final do mês de Abril deste
ano, é que assumi funções, na sequência do infeliz falecimento do anterior
presidente, Sr. João Serra. De todo o modo, considero que estamos a cumprir os
objectivos de apoiar a população nas diferentes áreas em que temos competência e
capacidade para isso, assim como a trabalhar proficuamente com as instituições
mais significativas da freguesia, quer em organizações conjuntas, quer apoiando
iniciativas desenvolvidas, da mais diversa índole, com especial destaque para as
áreas sociais, culturais, desportivas, solidárias e recreativas. Também no que
concerne ao relacionamento com a Câmara Municipal de Oeiras, só há razões para
estarmos satisfeitos e julgo que tal sentimento é recíproco.
J.A- Quais as são os principais problemas e necessidades dessa freguesia?
P.J- Os problemas são mais ou menos comuns à maior parte das freguesias do
país, sobretudo se nos lembrarmos da exiguidade das competências que nos estão
cometidas e das recorrentes dificuldades financeiras motivadas pela inexistência
de acções, funções ou actividades que permitam a geração de receitas adicionais
ao que já é comum (atestados, licenças, etc.).
Os restantes problemas e necessidades são mais pontuais e situam-se ao nível da
segurança, da limpeza urbana e do ordenamento de tráfego. Também denotamos uma
reclamada necessidade de dispor de um espaço para a realização de eventos
(reuniões, espectáculos, conferências, etc.), de um centro de dia e de novas –
ou renovadas – instalações para a sede da Junta.
J.A- Como é que perspectiva o futuro da freguesia?
P.J- Um futuro de maior integração entre a parte sul (coincidente com a zona
histórica) e a parte norte (onde se concentram os parques empresariais), que
potenciará um melhor e maior convívio entre a população residente e a população
“flutuante”. Também perspectivo uma continuada e fluente relação (integrada e
complementar) com as freguesias vizinhas (Caxias, Oeiras e Porto Salvo) e também
no seio do Município no seu todo. Quanto ao resto, o tempo o dirá, mas pugnarei
para que o futuro seja francamente auspicioso.
J.A- Qual o seu grande projecto para a autarquia? Já foi ou ainda está por
realizar?
P.J- Como disse no inicio, encontro-me em funções há pouco mais de um mês,
mas gostaria de concretizar a readaptação do Mercado Municipal (onde está
instalada a sede da Junta), as novas (ou renovadas) instalações da Junta (que se
relaciona com a afirmação anterior), a construção de um Centro de Dia e de um
espaço multiusos para eventos, na forma de Centro Cultural (o nome é
ilustrativo). Tudo isto são pretensões ainda por maturar, não posso assumi-las
sequer como projectos, até porque carecem, obviamente, de intervenção por parte
da Câmara Municipal, já que a Junta não tem capacidade (nem competência) para
assumir tamanhas empresas.
J.A- Das áreas mais importantes da freguesia, quais as que se destacam, tanto
pela positiva como pela negativa?
P.J- Começo pela negativa: o hiato existente entre a parte norte e a parte
sul da freguesia provoca alguns constrangimentos a uma sã convivência e
continuidade urbana; a relação com o rio tem sido pouco assumida por parte da
população, porque a Praia Velha “é dos pescadores” e a Praia Nova “é dos
miúdos”; as dificuldades porque tem passado o clube mais representativo da
Freguesia (Clube Desportivo de Paço de Arcos); pela positiva: o valioso
património histórico representado pelo centro da Vila em geral e pelo Palácio
dos Arcos em particular (já na posse da Câmara e em vias de se transformar num
hotel de charme, cumprindo-se uma recuperação integral respeitadora da traça
original, assegurando, ainda, a assumida exposição do espólio do último
proprietário, o Conde de Arrochela); a concentração de restaurantes de primeira
qualidade, sobretudo na Rua Costa Pinto (centro histórico), mas também um pouco
por toda a freguesia; a frente ribeirinha fantástica e que se encontra a ser
requalificada, já com um “apoio de praia” consistente na Praia Nova e com as
obras em curso do prolongamento do Passeio Marítimo de Oeiras; a política de
integração social seguida pela Câmara Municipal e que tem um exemplo de sucesso
na Freguesia, constituído pelo Bairro Municipal do Alto da Loba; a existência de
parques empresariais que emprestam um registo de intelectualidade e inovação
tecnológica ao melhor nível do que se faz na Europa (ex.: Quinta da Fonte); a
existência de um Centro Comercial que já foi considerado (proporcionalmente) o
mais visitado a nível nacional e que ainda é aquele que, no rácio
espaço/despesa, apresenta o maior índice de compras per capita do país (Oeiras
Parque); e as pessoas! É o que de mais positivo tem esta Freguesia…
J.A- Qual a situação financeira da freguesia?
P.J- Insuficiente, controlada e bem gerida pelo Sr. Tesoureiro, Eng.º Nuno
Luís e meu vice-presidente, a quem eu quero aproveitar para saudar pelo
excelente e leal trabalho que tem efectuado. Aproveito para estender o
cumprimento aos restantes elementos do executivo, Sr. Francisco Abrunhosa, Dr.
David Silva e Sr. Amaral de Figueiredo e aos funcionários da Junta pelo seu
abnegado trabalho.
J.A- Quais os planos que tinha para a freguesia, que deixou de desenvolver, e
quais motivos?
P.J- Não tenho o tempo suficiente em funções para responder a esta questão.
J.A-A nível de freguesias, qual o apoio que a autarquia tem prestado às
mesmas?
P.J- O apoio da autarquia referido, julgo tratar-se do apoio da Câmara
Municipal. Sendo assim, esse apoio é vital! A Câmara Municipal tem assinado com
todas as 10 freguesias do Concelho de Oeiras um Protocolo de Delegação de
Competências que, para além de pioneiro, ousado e pouco dissimulado pelo resto
do país (embora a lei o contemple – como não poderia deixar de ser –), é de uma
utilidade extraordinária porque, para além de outras considerações que já farei,
serve, exclusivamente, os interesses das populações. Através deste acordo, as
juntas de freguesia podem realizar uma série de “pequenos” trabalhos ao nível de
reparações na via pública e passeios, espaços verdes, estacionamento,
sinalização rodoviária, intervenção nas escolas, etc. que, para além de se
efectuarem com a qualidade que a Câmara Municipal também segue e exige, se fazem
de forma mais célere e menos dispendiosa, considerando a dimensão dos trabalhos
e das próprias entidade adjudicantes. Todas as intervenções são autorizadas
previamente pela Câmara Municipal, que, trimestralmente, transfere a verba gasta
de volta às freguesias. É minha convicção tratar-se de um projecto da maior
pertinência e com grande consistência à escala municipal. Uma palavra de apreço
ao Gabinete de Apoio às Juntas de Freguesia, na pessoa da sua responsável, Dr.ª
Ana Rita Cordeiro.
J.A- Alguma mensagem que queira deixar aos cidadãos da sua localidade?
P.J- Confiança no presente, porque só assim se poderá projectar um futuro
melhor, com o contributo de todos. Eu sou o primeiro a dar exemplo e, se mais
não conseguir, podem sempre contar com a minha total e incondicional
disponibilidade.