J.A- Em primeiro lugar, queríamos agradecer a disponibilidade que teve ao
receber-nos.
Temos conhecimento que, na primeira fase da sua vida profissional, começou como
modelo. Explique-nos como foi parar ao mundo da moda e como foi essa fase da sua
vida?
N.Q- Eu comecei no mundo da moda ainda na África do Sul, ainda miúda, tinha
15/16 anos. Devido à minha actividade na dança, desde os 8 anos, a minha forma
física despertou a atenção de uma agência, em especial a Infant Models, em
Pretória, onde eu vivia. Fiz o meu primeiro book com essa idade, fiz alguns
anúncios, como a Coca-Cola etc…, na África do Sul, mas, pouco depois vim viver
para Portugal.
Cá, em Portugal, tive alguma actividade como modelo, a fazer desfiles,
publicidade e catálogos. Mas rapidamente a minha vida se alterou, da moda passou
ao da música, devido à dança ser cada vez mais um batente forte na minha vida e
que me dava muito mais prazer.
J.A- Então, já estamos a falar da fase da música?
N.Q-
Sim, a minha vida acaba por ser muito fluida, nesse sentido, por muito que
eu comece por um lado, o meu destino acaba por me mostrar, por outro lado, de
uma forma muito visível o caminho que serve para eu percorrer, e eu vou atrás
disso e acabo por me sentir realizada e feliz comigo própria e, claro, uma
pessoa que está realizada no trabalho que faz, sente-se feliz no geral e, foi
assim, que comecei a dançar. Comecei por dançar e realizar trabalhos de modelo
ao mesmo tempo, até me aparecer um convite para ir fazer um casting para as
Tentações.
Nessa altura, eu encontrava-me com 21 anos de idade. Foi tudo tão rápido que nem
me dei conta, ao certo, do que estava a acontecer, e foi quando me apercebi que
estava numa Girls Band nacional, com o êxito que tínhamos e a percorrer o país
todo, com espectáculos a cantar e a dançar e, realmente, senti-me muito feliz.
J.A- Só esteve nas Tentações, não esteve noutra?
N.Q- Sim, sim. O meu percurso em termos musicais começou realmente nas
Tentações.
Depois, quando saí das Tentações, lancei o meu primeiro álbum a solo, o Stay, o
primeiro e o único, na verdade, porque lancei vários singles, mesmo após o
álbum, mas nunca editei novo álbum.
Também me deu grande satisfação o meu primeiro álbum, porque foi um álbum muito
à minha maneira. Tive o prazer de fazer um álbum cantado, a solo, num estilo em
que me identifico e não com outro estilo musical, porque, infelizmente, há
muitos músicos que vivem a cantar uma coisa com a qual não se identificam. Por
isso, poder estar a cantar e a dançar e actuar perante um público, a fazer
exactamente aquilo que eu quero, é uma realização pessoal brutal, como é óbvio.
Entretanto, quando eu cheguei a Portugal comecei a tirar um curso de marketing e
publicidade e foi isso que eu estudei.
Perante essa minha fase de carreira a solo, comecei aos poucos a trabalhar como
relações públicas e com a organização de certos eventos, a trabalhar com alguns
artistas, em termos de representação, e também me senti muito bem, porque
marketing e publicidade é realmente uma coisa que eu também gosto muito de
fazer.
Comecei, cada vez mais, a empenhar-me neste papel até estar, neste momento, onde
estou, com o UP TO DATE e com as lojas da THE LAB.
J.A- Já abriu a do Chiado?
N.Q- Já, abriu no dia 09 de Maio, uma megastore THE LAB, com roupa de homem e
senhora, com três pisos, com três conceitos distintos. Tem um piso de senhora,
para a senhora mais sofisticada, requintada, glamorosa, a STREET COUTURE.
Temos, no piso zero desta loja, a URBAN FLAVOR, com roupa de homem e mulher, mas
mais para jovens, para uma faixa etária mais jovem, e temos a SPORT LIFESTYLE,
no piso 1,onde se encontram diversas marcas de renome.
A Loja é desde já considerada como “Opinion Leader“ por marcas de prestígio que
iremos comercializar e será certamente uma referência do género a nível
internacional.
Temos também neste espaço, no piso -1, uma cabine de disco joker e um pequeno
espaço de lazer com um pequeno bar onde os nossos clientes possam estar a
conservar, alguns dos nossos patrocinados podem estar a dar entrevistas, estarem
a descansar tranquilamente e a ouvir um som bastante agradável, aqui nesta loja.
J.A- Onde nasceu?
N.Q- Nasci em Lourenço Marques, Moçambique e resido neste momento em Cascais,
aliás, mais propriamente no Estoril.
J.A- Estando a viver no Estoril e trabalhando também em Cascais, porque já
reparei que é uma mulher muito activa, o que é que acha que está mal aí nessa
zona?
N.Q- Penso que em termos de espaços sociais estamos muito fracos, é verdade que
temos no verão, aquela zona da praia a trabalhar muito bem, mas no geral, não
sei bem o porquê, os espaços sociais não estão a funcionar muito bem. É o que eu
posso neste momento apontar. Por exemplo, discotecas, bares estão pouco
divulgados, ou as pessoas se esquecem que eles lá estão ou estão a sair pouco,
há aí qualquer coisa.
J.A- Qual a sua opinião sobre o projecto do Jornal das Autarquias?
N.Q-É um projecto muito interessante. Desde já quero dar-lhes os parabéns,
porque dão voz a determinadas freguesias que não conseguem divulgar as suas
iniciativas e os seus eventos e, através do vosso jornal, podem informar e
manter informados todas as pessoas que têm interesse em saber o que é que se
passa na sua zona.
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