Carlos Manuel Soares Miguel
J.A. - O nosso país tem vindo a ser fustigado por intempéries, não muito frequentes nestes últimos anos. Sendo a sua zona uma das atingidas, solicitamos o vosso parecer sobre este assunto.
P.C. - Em regra, Portugal continua a ser um cantinho ameno na Europa e, excepcionalmente temos ocorrências como esta que a 23/12/2009 arrasou Torres Vedras.
Para fazer face a situações como esta, mesmo excepcionais, temos de olhar com olhos de ver o nosso sistema de seguros, as suas coberturas, a sua atratibilidade e a sua fiscalização rígida pelo Estado.
J.A. - Além dos problemas provenientes dessa situação, quais os que considera que necessitam de maior intervenção no concelho?
P.C. - Os maiores danos situam-se nas estufas que foram destruídas a 75% e representam 80% da produção hortícola nacional.
Mas todos os sectores de actividade do concelho tiveram danos e prejuízos e as próprias pessoas viram as suas casas destelhadas e chuva no interior.
J.A. - Como é que perspectiva o futuro do concelho?
P.C. - Estamos todos a “arrumar a casa”.
As empresas estão a reparar ou a reconstruir as suas instalações, as pessoas a reparar telhados e muros, as Associações a reporem as coberturas e os horticultores já limpam as zonas de produção.
Todos com muito trabalho e no final de 2010 tudo estará igual ou melhor que no final de 2009.
J.A. - Qual o seu grande projecto que tem para a autarquia?
P.C. - Uma autarquia tem sempre uma grande panóplia de investimentos os quais não se vendem pelo custo, mas pela resposta social que irão dar.
De qualquer forma, a construção dos novos Centros Educativos para o primeiro ciclo do ensino básico são a grande prioridade deste mandato.
J.A. - Qual a situação financeira da autarquia?
P.C. - De há muito que Torres Vedras tem uma situação financeira equilibrada e estável com capacidade de endividamento, mas se o Governo não vier a rever as suas regras de apoio do QREN à construção de novas escolas, repondo o principio que esses custos sejam suportados em 70% pelo QREN e 30% pelas Câmaras Municipais, a nossa situação financeira ficará exaurida.
J.A. - Qual o apoio que a autarquia pensa prestar às Juntas de Freguesia e a que nível?
P.C. - Temos uma política de delegação de competências para as nossas vinte Juntas de Freguesia, verdadeiros parceiros na execução das tarefas e serviços prestados aos Munícipes diariamente, o que, anualmente e em média, corresponde a transferências de verbas superiores a cinco milhões de euros.
J.A. - Alguma mensagem que queira deixar aos cidadãos da sua região?
P.C. - Que mantenham este espírito empreendedor que tanto nos caracteriza e que nos leva sempre a pôr o destino nas nossas próprias mãos e não na de outros.
J.A. - Se alguma questão não lhe foi posta, e que queira destacar, esteja à vontade para o fazer.
P.C. - Permitam-me lembrar que em 2010 estamos a comemorar os duzentos anos das Linhas de Torres Vedras e que queremos transformar estas comemorações num produto histórico-turístico que sirva o concelho, a região e o país.
A todos convido para visitarem a exposição “Guerra Peninsular: 1807-1814”, patente no Museu Municipal Leonel Trindade, em Torres Vedras.
J.A. - Por último, já visitou o nosso jornal “Jornal das Autarquias” on-line?
Se não visitou, solicitamos que o faça em “www.jornaldasautarquias.com”. e opine sobre ele. Nele existe um livro de honra onde destacamos as opiniões dadas pelos nossos entrevistados.
P.C. - Sim, já visitei e considero O Jornal das Autarquias um bom instrumento de divulgação das potencialidades dos municípios, seja ao nível do turismo ou da cultura, dando também a conhecer o trabalho realizado pelas autarquias e pelos diversos agentes económicos.
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